PR pede consenso dos partidos sobre candidatura à Agência Europeia do Medicamento

PR pede consenso dos partidos sobre candidatura à Agência Europeia do Medicamento

A candidatura autárquica Porto Autêntico, uma coligação que une PSD e PPM para as eleições autárquicas no Porto, acusou o primeiro-ministro de continuar a agir como se fosse presidente da Câmara de Lisboa.

"As razões invocadas por António Costa não são válidas porque a criação de uma escola europeia não depende da instalação da EMA em Lisboa, e nada impede que o Infarmed continue em Lisboa e a EMA se instale no Porto", explicou a Porto Autêntico, liderada pelo candidato à Câmara do Porto, Álvaro Almeida.

Na sessão do executivo realizada esta terça-feira, Rui Moreira adiantou ter recebido a resposta segunda-feira.

Contra a opção centralista do governo, os eurodeputados do PSD Paulo Rangel e José Manuel Fernandes decidiram lançar uma campanha para travar a decisão do Governo e incluir as cidades de Porto e Braga na corrida à sede da Agência Europeia do Medicamento.

O primeiro-ministro, António Costa, decidiu candidatar Lisboa para acolher a Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla inglesa) por "ser fator de preferência a existência de Escola Europeia, que só Lisboa poderá vir a ter", indica uma carta a que a agência Lusa teve acesso. "Depois, que definam por consenso, para um não defender uma coisa e outro defender outra", pediu Marcelo Rebelo de Sousa, questionado sobre a possibilidade de ainda haver unidade nacional relativamente à localidade portuguesa a candidatar à sede da EMA, que deve abandonar Londres com a saída do Reino Unido da União Europeia.

Inicialmente, Rui Moreira recusou "fazer de Calimero" e votar a favor da proposta do PS, referindo uma carta que recebeu do primeiro-minitro na segunda-feira e na qual, segundo o autarca, "o grande argumento para candidatar Lisboa é uma Escola Europeia que não existe em Lisboa". É preciso ficar claro quem tem agora uma opinião e quem tem outra.

Depois do debate, a versão final da proposta do PS, aprovada por unanimidade, prevê que, "desde que seja garantido que o Governo pode ainda rever a decisão tomada", seja criado "um grupo de trabalho encarregado de, no prazo máximo de 30 dias, elaborar um dossiê de candidatura do Porto ao acolhimento da sede da EMA, convidando para tal diversas entidades".

O vereador socialista Manuel Pizarro insistiu na necessidade de o Porto não se resignar, manifestando a "profunda convicção de que uma candidatura da cidade, se for bem participada e argumentada, pode inverter" a decisão do Governo.

"E cá estarei para assumir as minhas responsabilidades como dirigente do PS [Pizarro é presidente da Federação Distrital do PS/Porto] e falar bem alto em nome da cidade", assegurou. Estes são alguns dos argumentos apresentados pelos social-democratas que subscrevem a petição e que, desde logo, apontam Porto e Braga como alternativas.

Também Pedro Carvalho, da CDU, considerou que a Câmara do Porto devia ter tomado uma posição mais cedo. A Porto Autêntico defende que a escolha de Lisboa demonstra que "António Costa continua a agir como Presidente da Câmara de Lisboa e não como Primeiro-Ministro de Portugal".

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