Marcelo defende combate à pobreza e superação da injusiça

Marcelo defende combate à pobreza e superação da injusiça

O chefe de Estado disse que Portugal acompanha "muito de perto" as comunidades "com uma palavra de incondicional solidariedade, em especial para as que mais sofrem ou desesperam", bem como se abre "àquelas e aqueles" que chegam ao país "de tantas paragens sonhando ficar" e ter uma vida melhor do que aquela que "lhes é negada nas suas terras natais". Mas um problema de agenda do chefe de Estado do Brasil levou ao cancelamento do encontro, pedido por Temer.

Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou a união "de alma" existente entre Portugal e o Brasil, que é resultado do património acumulado por muitas gerações e que permite resistir a todas as mudanças políticas. Aqui, Marcelo aproveitou para contrapor à situação política brasileira o momento português: "Os portugueses estão habituados a um Presidente da República e a um primeiro-ministro que, por virtude da situação estável e tranquila do país, têm uma disponibilidade constante que não é habitual noutros Estados". "O Presidente da República pontuou bem estas três componentes essenciais que fazem a pátria portuguesa", afirmou. "Houve um pedido do senhor Presidente da República Federativa do Brasil, supondo que podia estar em São Paulo amanhã [domingo] de manhã, e pediu para ser recebido", afirmou aos jornalistas Marcelo Rebelo de Sousa durante uma receção com representantes da comunidade portuguesa, no Teatro Municipal de São Paulo.

"É um dia que tem 28 horas, começou esta manhã no Porto e continua aqui em São Paulo", disse, referindo-se depois aos portugueses na Venezuela: "Quanto mais é o sofrimento por parte de comunidades portuguesas, mais estão no nosso coração".

Sem qualquer referência à atual conjuntura política brasileira, o Presidente da República concluiu em síntese: "Podem mudar as políticas, mais para a esquerda, mais para a direita ou mais para o centro, podem mudar as sensibilidades e os tempos, mas continua aquilo que nos une: a alma", apontou.

O Presidente da República deixou também uma mensagem de "gratidão" aos brasileiros, afirmando que "Portugal é aquilo que é hoje graças ao Brasil"."Portugal tem um território físico, mas tem um território espiritual muito maior. É por causa do território espiritual que António Guterres é secretário-geral das Nações Unidas", acrescentou.

Depois de assinalar o 10 de Junho no Porto, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa seguem para o Brasil, onde vão dar continuidade às celebrações junto das comunidades emigrantes e lusodescendentes de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Já o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, considerou que o discurso de hoje de Marcelo Rebelo de Sousa correspondeu à importância que o país dá a este dia, tanto os portugueses como as pessoas que representam o regime democrático. Nas cerimónias marcarão presença o prefeito da maior cidade brasileira, João Dória, tal como Geraldo Alckmin proveniente do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira).

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