Estudo mostra que chumbar a Matemática é ineficaz

O estudo "Resultados Escolares por Disciplina - 2.º Ciclo", da Direção-Geral de Estatísticas de Educação e Ciência (DGEEC), analisou dados referentes ao ano 2014/2015.

O mais comum entre estes é apresentarem apenas uma negativa, mas no 5º ano chega a haver 12% de alunos com classificações de 1 e 2 valores a três ou mais disciplinas. E mesmo até entre os alunos que passam de ano, há alunos que não conseguem positiva a Matemática: 20% no caso dos que transitam para o 6.º ano e 24% entre os que passam para o 7.º ano. A segunda a causar mais dificuldades a estes alunos é o Inglês, ainda que a uma distância considerável (14% e 15% de negativas, respetivamente).

A Inglês, Português e História e Geografia de Portugal as percentagens de negativas entre estes alunos variam entre os 70% e 80%.

Por exemplo, enquanto 16% dos alunos do 5.º ano sem apoios ASE tiveram classificação negativa em Matemática, o grupo de alunos que receberam apoios ASE do escalão A - o escalão mais alto - tem uma percentagem de negativas de 44% à mesma disciplina (quase metade dos alunos).

A decisão de passar de ano depende não só do número de disciplinas mas também da sua natureza. Enquanto 85% dos alunos que transitaram do 5º para o 6º ano com negativa a Educação Tecnológica conseguiram nota positiva no ano seguinte, apenas um quinto dos alunos conseguiram recuperar a Matemática. Aliás, Português é a disciplina em que menos alunos conseguem alcançar um cinco, tanto no 5.º como no 6.º anos.

Outra das informações agora conhecida é a percentagem de alunos que não têm qualquer negativa e dos que tiveram uma, duas, três ou mais classificações abaixo dos 3 valores.

Há mesmo uma fatia de alunos que passam para o 6.º ano com três ou mais negativas (5%), pois a lei assim o permite.

Ainda que 'apenas' 10% dos alunos do ensino público fiquem retidos no 6º ano, só 66% conseguem terminar o 2º ciclo com aproveitamento a todas as disciplinas. No caso da Matemática, 67% dos alunos que tiveram 5 no 5º ano voltaram a tê-lo no 6º. Os professores parecem mais generosos ou os alunos mais talentosos a Educação Musical e Educação Física, matérias nas quais a classificação 4 é a mais frequente. Na primeira disciplina concentra-se o maior número de notas máximas, com praticamente um em cada quatro jovens a conseguir um 5. E de acordo com o comunicado do Ministério da Educação, conclui que a elevada percentagem de negativas a Matemática associada a uma fraca capacidade de recuperação das aprendizagens a essa disciplina, "sustenta a ineficácia da retenção e a necessidade de agir aos primeiros sinais de dificuldade". O gabinete do ministro Tiago Brandão Rodrigues sublinhou ainda "a persistência da correlação entre baixo nível socioeconómico e baixos desempenhos escolares", defendendo que esta confirma a necessidade da gestão flexível que pretende implementar nas escolas, de forma a que "se possa gerir o currículo de forma adequada a cada contexto".

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